:: EDIÇÃO 18 :: Estética Musical

O HIBRIDISMO NA HISTÓRIA DA MÚSICA

Ele sempre esteve presente nas possibilidades dos compositores como uma ferramenta para compor, seja como fusão de estilos diferentes, técnicas ou diferentes gêneros musicais. Esses elementos e suas fusões podem ser encontrados desde a antiguidade, com as trocas culturais entre as civilizações.

Na Idade Média e Renascimento, os compositores sacros europeus, começaram a utilizar elementos da música popular como as canções folclóricas e danças camponesas em suas obras.

No Barroco e Classicismo, compositores como Johann Sebastian Bach misturaram técnicas italianas, francesas e alemãs em suas composições. No Barroco brasileiro os ritmos africanos e indígenas começaram a ser utilizados na música sacra e erudita.

No Romantismo, Frédéric Chopin e Franz Liszt utilizaram temas folclóricos poloneses e húngaros em suas composições. Richard Wagner combinou elementos dramáticos da ópera italiana com a tradição alemã, criando um novo conceito de ópera sinfônica. No Brasil, Heitor Villa-Lobos e outros nacionalistas utilizaram a fusão da música erudita com ritmos populares e indígenas.

O hibridismo sempre existiu mas se tornou um movimento na música do século XX, quando as “barreiras” entre os gêneros musicais começaram a se “dissolver” de forma mais intencional e global.

Podemos observar através de alguns compositores como George Gershwin em sua Rhapsody in Blue e Igor Stravinsky em seu Ragtime for Eleven Instruments, a fusão do jazz e música erudita.

Na música experimental e eletrônica os compositores Karlheinz Stockhausen e Pierre Boulez começaram a usar sintetizadores e gravações eletrônicas na música erudita.

Philip Glass e Steve Reich começaram a incorporar ritmos repetitivos e influências do rock progressivo em suas composições.

Chegando no século XXI com a tecnologia digital e a globalização, o hibridismo se intensificou. Gêneros como trap, hip hop, reggaeton, k-pop e música eletrônica se misturam frequentemente com a música erudita e outras tradições culturais. Artistas como Björk, Max Richter e Ludivico Einaudi exploram essa fusão, criando novas sonoridades.

Roland de Candé em seu livro História Universal da Música, diz que a música nunca é definida de forma conveniente. Ele cita J.- J. Rousseau que diz que ela é “a arte de reunir os sons de maneira agradável ao ouvido”. Segundo Candé, nem a música ritual, nem a dramática, nem a militar têm por vocação essencial serem agradável ao ouvido. Ele termina fazendo uma pergunta: “É acaso possível que uma mesma música seja agradável aos ouvidos de todos os homens, quaisquer que sejam sua raça e sua cultura?”

Referências:
Schafer, R. MurrayThe Soundscape: Our Sonic Environment and the Tuning of the World (1977)
Griffiths, Paul, 1947 – A música moderna: Uma história concisa e ilustrada de Debussy a Boulez. Paul Griff Ed., 1998.iths; tradução Clóvis Marques; com a colaboração de Silvio Augusto Merhy, – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.
Candé, Roland de – História universal da música: volume 1 / Roland de Candé; tradução Eduardo Brandão; revisão da tradução Marina Appenzeller. – 2ª ed. – São Paulo: Martins Fontes, 2001.



Portella
47 anos de vida e Fé cristã. Mestre em Educação. Pós-graduado em Aperfeiçoamento de Docência com Psicopedagogia. Licenciatura Plena em música. Bacharel em Composição. Bacharel em Gestão e Administração Eclesiástica e Música Sacra.
https://modal.asaphministerios.com/equipe/portella

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