Ele sempre esteve presente nas possibilidades dos compositores como uma ferramenta para compor, seja como fusão de estilos diferentes, técnicas ou diferentes gêneros musicais. Esses elementos e suas fusões podem ser encontrados desde a antiguidade, com as trocas culturais entre as civilizações.
Na Idade Média e Renascimento, os compositores sacros europeus, começaram a utilizar elementos da música popular como as canções folclóricas e danças camponesas em suas obras.
No Barroco e Classicismo, compositores como Johann Sebastian Bach misturaram técnicas italianas, francesas e alemãs em suas composições. No Barroco brasileiro os ritmos africanos e indígenas começaram a ser utilizados na música sacra e erudita.
No Romantismo, Frédéric Chopin e Franz Liszt utilizaram temas folclóricos poloneses e húngaros em suas composições. Richard Wagner combinou elementos dramáticos da ópera italiana com a tradição alemã, criando um novo conceito de ópera sinfônica. No Brasil, Heitor Villa-Lobos e outros nacionalistas utilizaram a fusão da música erudita com ritmos populares e indígenas.
O hibridismo sempre existiu mas se tornou um movimento na música do século XX, quando as “barreiras” entre os gêneros musicais começaram a se “dissolver” de forma mais intencional e global.
Podemos observar através de alguns compositores como George Gershwin em sua Rhapsody in Blue e Igor Stravinsky em seu Ragtime for Eleven Instruments, a fusão do jazz e música erudita.
Na música experimental e eletrônica os compositores Karlheinz Stockhausen e Pierre Boulez começaram a usar sintetizadores e gravações eletrônicas na música erudita.
Philip Glass e Steve Reich começaram a incorporar ritmos repetitivos e influências do rock progressivo em suas composições.
Chegando no século XXI com a tecnologia digital e a globalização, o hibridismo se intensificou. Gêneros como trap, hip hop, reggaeton, k-pop e música eletrônica se misturam frequentemente com a música erudita e outras tradições culturais. Artistas como Björk, Max Richter e Ludivico Einaudi exploram essa fusão, criando novas sonoridades.
Roland de Candé em seu livro História Universal da Música, diz que a música nunca é definida de forma conveniente. Ele cita J.- J. Rousseau que diz que ela é “a arte de reunir os sons de maneira agradável ao ouvido”. Segundo Candé, nem a música ritual, nem a dramática, nem a militar têm por vocação essencial serem agradável ao ouvido. Ele termina fazendo uma pergunta: “É acaso possível que uma mesma música seja agradável aos ouvidos de todos os homens, quaisquer que sejam sua raça e sua cultura?”
Schafer, R. Murray – The Soundscape: Our Sonic Environment and the Tuning of the World (1977)
Griffiths, Paul, 1947 – A música moderna: Uma história concisa e ilustrada de Debussy a Boulez. Paul Griff Ed., 1998.iths; tradução Clóvis Marques; com a colaboração de Silvio Augusto Merhy, – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.
Candé, Roland de – História universal da música: volume 1 / Roland de Candé; tradução Eduardo Brandão; revisão da tradução Marina Appenzeller. – 2ª ed. – São Paulo: Martins Fontes, 2001.


