Ao articular e misturar restos de leituras, pode se deparar com o “sem sentido” ou os “múltiplos sentidos”, fazer cair as certezas, as mesmices…
A leitura propicia inventar uma nova forma de caminhar a cada momento, remete à questão de possibilidade de produção e interação de acordo com a subjetividade, conhecimentos, experiências e valores, ou seja, demarcações para outros sentidos possíveis.
Na confrontação de diferentes horizontes de significado, o desvelamento e a vivência, favorecem a elaboração de um mundo de posições e performances; o estar-no-mundo se revela como uma possibilidade de atribuição e de significados.
Atribuir sentidos às coisas do mundo buscando relações entre acontecimentos, revelam ligações de certas evidências e ou estranheza, vai além das aparências do que se descortina aos órgãos dos sentidos.
O fazer sentido do que se ouve ou se lê, indo além do que está explícito, é polissêmico, oferece possibilidades de reconstruir a partir do universo dos sentidos de quem diz perceber, que atribui coerência através de uma negociação de significados de instâncias de uma singularidade, num processo das possibilidades do compreender e ser compreendido na interação.
Nessa interação, o modificar, ajustar e o ampliar as concepções, exerce impactos na percepção e na postura frente às perspectivas assumidas pelo sujeito, condições de possibilidades sócio-históricas variáveis e desiguais num movimento de superação favorecendo possíveis intercruzamentos do que se considera paradoxal.
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