O termo saúde, apesar de amplamente pronunciado, é discutido pela complexidade de sua definição desde a Grécia antiga. Talvez, ao perguntar o que é saúde para algumas pessoas, teríamos como resposta que, saúde é não estar doente, esta é considerada uma visão limitada. De acordo com a constituição da Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde é definida como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a mera ausência de doença ou enfermidade”.
A definição de saúde pela OMS agrupa outras dimensões da vida humana, esta definição é utilizada por autores e pesquisadores, no entanto, vem sendo discutida e criticada desde sua criação e no momento, pode ser considerada utópica pela tentativa de atingir o inatingível. Para Lopes (2005, p. 1.595), saúde é “o conjunto de condições integrais e coletivas de existência, influenciado pelo contexto político, socioeconômico, cultural e ambiental”.
Neste contexto, pensar sobre responsabilização e empoderamento das pessoas em relação ao cuidado à saúde é uma discussão atual e de grande desafio, isto pode ser visto no estudo de Lopes (2015). Contudo, é importante salientar que, empoderamento não existe na língua portuguesa, por isso alguns autores sugerem utilizar o termo “empowerment”, pela dificuldade de definição quando o conceito é traduzido para o português e para o espanhol. Embora, empowerment possa ser entendido por alguns como sinônimo de “apoderamento” (tomar o poder, apoderar-se), e por outros como conotação de “emancipação”, (referindo-se ao tornar livre), empowerment une consciência e liberdade (SOUZA et al., 2014).
Segundo Herriger (1997) empowerment tem suas raízes na Reforma Protestante iniciada por Lutero no século XVI, na luta por justiça social. Neste contexto, é necessário modificar a visão de paciente como “passivo” e “obediente”, mas nos colocarmos como sujeitos participantes do cuidado e de decisões, ainda que aspectos sociais e estruturais não possam ser negligenciados, visto que, o empoderamento pode ser alterado de acordo com as diferentes situações e no contexto onde ocorre, há desenvolvimento de autonomia, colaboração entre ambas as partes.
Os autores Murakami e Santos (2012) discutem que as pessoas que têm fé sentem-se mais fortes para enfrentar as dificuldades, os estudos mostram que a fé contribui para uma melhor qualidade de vida com comportamentos de proteção e que conduzem a saúde. Quando entendemos que pela fé, somos justificados, então conhecemos a liberdade e adquirimos paz com Deus, através da fé em Jesus. Então somos levados a crer, esperar contra a esperança. Nossa esperança apesar de abstrata, torna-se concreta. Éramos fracos, agora fortes. A Justiça pela fé nos libertou, vejo nisso empowerment e responsabilização.
LOPES, A. A. F.; LOPES, A. A. F. Cuidado e Empoderamento: a construção do sujeito responsável por sua saúde na experiência do diabetes. Saúde e Sociedade, [S. l.], v. 24, n. 2, p. 486–500, jun. 2015.
HERRIGER, Norbet. Empowerment in der sozialen arbeit. Stuttgart: Eine Einfuhrung, 1997.
MURAKAMI, R.; CAMPOS, C. J. G. Religião e saúde mental: desafio de integrar a religiosidade ao cuidado com o paciente. v. 65, n. 2, abril. 2012
SOUZA, J. M. de et al. Aplicabilidade prática do empowerment nas estratégias de promoção da saúde. Ciência & Saúde Coletiva, [S. l.], v. 19, p. 2265–2276, jul. 2014.
