Nos últimos dias ficou popular uma conversa em que uma pessoa se queixava de muitos da Geração Z não conhecerem os Beatles. Esse grupo, que mudou a história da indústria musical e atravessou gerações, segundo a pessoa que tuitou, estaria fadado ao esquecimento.
No dia seguinte, uma colega me contou maravilhada de uma experiência que teve levando a sobrinha de 4 anos para um espetáculo lúdico e colorido em que convidavam as crianças a entrar em uma nave e viajar por planetas que levaram o nome de cada um dos integrantes dos mesmos Beatles.
Eagleton afirmou que “Quando a obra passa de um contexto histórico para outro, novos significados podem ser dela extraídos”. (EAGLETON, 1997, p. 98). E é verdade. Tenho certeza que os Beatles significaram coisas diferentes para a geração que os viu ao vivo e para a geração que os está descobrindo agora.
Essa é a grande magia da produção artística e musical séria: a produção de muitos sentidos. O significado da obra não está completamente nas mãos do autor mais, como se pensava antigamente. Pensadores contemporâneos já pensam que o significado está justamente no relacionamento entre artista e público. É nesse encontro que o significado acontece plenamente.
O grande desafio, portanto, parece ser alcançar o equilíbrio entre valorizar o passado, ser influenciado por ele, mas sem esquecer de produzir novos significados com essas obras, para que assim o fluxo de criação possa continuar e desaguar em criações novas.
A estética e as correntes artísticas sempre trabalham em ciclos, trazendo constantemente de volta do passado elementos antigos, e combinando-os com roupagens novas e elementos contemporâneos, para aí sim começar movimentos novos. Com a música não é diferente. O que ouvimos hoje tem uma grande parcela de influência dos anos 80 e 90, misturados às novas tecnologias e os anseios dessa geração de hoje.
E creio que esteja aí todo o segredo. Unir elementos que já são conhecidos com novas ideias que a geração atual quer ouvir.
EAGLETON, Terry. Teoria da literatura: uma introdução. Trad. Waltensir Dutra. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997
