“E eu quero ficar aqui, mas às vezes quero partir” (Tiago Arrais)
Você já se encontrou num momento em que sabe que precisa partir?
Partir significa deixar um lugar em direção a outro. Retirar-se.
Mas também significa dividir(-se) em partes, quebrando-se.
O que o dicionário não diz, porém, é que às vezes é o ficar que acaba nos quebrando.
Quando o horizonte se abre à nossa frente, e o convite do sol a seguir em frente para outro lugar é irrecusável. Quando a oportunidade que, por anos pensávamos ser impossível, finalmente se apresenta como possibilidade. Quando a gravidade do novo é tão forte e pujante que deixa tudo ao redor em um estado de suspensão.
Mas… o medo emerge. As desculpas surgem. O fantasma da inércia assombra novamente com as mesmas velhas histórias de terror psicológico: “você não vai conseguir”.
“Eu tenho pintado quadros do Egito; deixando de fora o que faltava,
O futuro parece ser tão difícil e eu quero voltar!
Mas os lugares que costumavam me acomodar
não podem acomodar as coisas que aprendi
Aquelas estradas foram fechadas pra mim
Enquanto eu virava de costas” (Sara Groves)
Se por dentro, a decisão de partir é quase que uma certeza, por fora nada ainda mudou. É nesses “pontos de virada” que precisamos nos mover. Malcolm Gladwell compara esses pontos de virada com o que acontece em uma epidemia:
“Este é o paradoxo da epidemia: que para criar um movimento contagioso, frequentemente você tem que criar muitos movimentos pequenos primeiro.” E ainda: “Olhe para o mundo à sua volta. Pode parecer que ele é um lugar imóvel e implacável. Não é. Com o mínimo empurrão – naquele lugar preciso – ele pode ser movido.
Um navio recém construído está seguro no porto, protegido por uma forte âncora. Mas um navio foi feito para singrar os mares, e não para ficar no porto.
Há momentos na vida que os lugares que ocupamos não nos cabem mais. Mas, com um pequeno movimento, no lugar certo, o mundo gira e partimos.


