O advento da chamada Virada Linguística e da crise do paradigma moderno acabou por contribuir com revisões e embates teóricos dentro do campo da História. Fez e faz parte da máxima muito conhecida entre os seus pares de que a História possui a sua própria historicidade, enquanto um campo de interessados em se debruçar e interpretar os processos e ações dos humanos no tempo e no espaço.
Entre as transformações podemos citar os embates em torno das certezas dos objetos e modo de se fazer a História. A partir da crise de paradigma recente, o próprio lugar científico em que a disciplina histórica se consolidou a partir do século XIX passou a ser questionado. Alguns autores das últimas décadas do século XX deram ênfase a ideia de que a escrita histórica era semelhante a de um gênero narrativo, quase que literário. Passou-se a questionar o lugar do próprio historiador na formulação de perguntas e o peso no seu olhar subjetivo sobre as fontes e objetos de análise.
Hoje podemos dizer que é crescente a perspectiva historiográfica da “revisão da revisão”. Dos seus representantes ecoa-se a ideia de que os historiadores são frutos do seu tempo, de que eles se carregam e os seus valores na análise historiográfica. Ao mesmo tempo, porém, afirmam que o seu esforço interpretativo não se confunde com meras licenças poéticas, invenções ou ações imaginárias que são próprias do gênero literário.
Não é um debate encerrado, pelo contrário. Parece que ambas as perspectivas teórico-metodológicas evidenciam o papel do próprio contexto social na evocação da relativização da verdade ou a busca por uma verdade ou a ideia de se aproximar dela, sabendo-se das limitações para um êxito completo.
Das novidades da Virada Linguística podemos registrar algumas heranças como a observação sobre a linguagem e o desenvolvimento das ciências e das instituições na construção das representações da realidade/sociedade/poder pelos sujeitos históricos. Florescem trabalhos historiográficos inspirados na perspectiva da Filosofia da Linguagem de Wittgenstein, como os do contextualismo linguístico de Cambrigde, além daqueles que utilizam da análise do discurso para temas variados da cultura, política, pensamentos filosóficos e até economia.
A História possui a sua própria história: nos conflitos e inspirações seus praticantes constroem diferentes interpretações sobre o passado e tempo presente, especificando ou ampliando perspectivas. Nesses caminhos produzem também linguagens próprias, não como meras ferramentas, mas meios de enunciação e significação de realidades, entre elas os fatos e processos históricos que selecionam e analisam.